16 Dezembro 2009

Inveja

A época de natal, por norma, é a altura do ano em que as pessoas se lembram da solidariedade, da paz no mundo, etc., etc. (embora no resto do ano levem as suas vidinhas de forma, mais ou menos, indiferente a estes temas). Pois bem, na época da paz, da amizade, do amor, da solidariedade, não devia haver espaço para a inveja. Ora, com o meu feitio do contra, não pude de deixar de voltar aqui ao meu mundo, passadas estas semanas, sem vos deixar com um bocadinho de inveja. Como sei que é uma inveja saudável, não há problema de colidir com o espírito da época natalícia.

Então cá vai:

Todos me dizem que está um frio de rachar na rua, que não se aguenta, e não sei mais o quê. Aqui onde me encontro, as temperaturas têm oscilado entre os 37 e os 38ºC.

Todos me dizem que andam super-atarefados, sem tempo para nada e sem saber para onde se virar. Eu tenho todo o tempo do mundo para fazer o que me apetece o, que nos últimos tempos, tem sido, basicamente, descansar.

Digam lá... não estão já todos roidinhos de inveja? Hum? Todos a trabalhar, ao frio, super-atarefados e tudo e tudo e tudo e eu aqui, armada em dondoca, com temperaturas tropicais!

Como cada um tem o que merece, vou ali dar mais uns espirros e umas tossidelas e esperar que a quarentena acabe...

28 Novembro 2009

Inauguração da época natalícia

Este ano o Natal chegou mais cedo a este meu mundo pequeno e também à casa de gente doida. Afinal, esta é uma época tão bonita e passa sempre tão depressa, mais vale aproveitá-la enquanto podemos.

Assim, para aqueles que ainda não sentem o espírito natalício e não sentem vontade de montar a árvore, de reunir a família toda à mesa, de oferecer prendas e receber sorrisos, de se empanturrar com guloseimas carregadas de colesterol e tudo e tudo e tudo, deixo ali ao lado uma música que talvez vos inspire...

HO HO HO! Cof...cof...

27 Novembro 2009

Há coisas que não entendo

Se alguém, por um acaso do destino, encontrar na rua um marmanjo, daqueles tipo armário cuja principal ocupação na vida é levantar pesos e tomar esteróides, com um cabelo comprido com ar de que não vê um frasco de champô nem um pente há uns meses largos, vestido apenas com uma tanga pirosa de polyester com padrão fluorescente, calçado com umas botas igualmente pirosas num tecido a lembrar linóleo, o que pensa? Que o marmanjo tem um conceito de moda demasiado avant-garde ou, então, que fugiu do manicómio mais próximo, certo?

Se é assim, porque carga de água há tanta gente "normal" que está disposta a sujeitar-se a pagar para ver marmanjos a atirarem-se para cima uns dos outros, suados, a fazerem esgares de dor e poses de gorila, a darem urros e murros?

Por muito que tente, não consigo perceber que piada tem o Wrestling!

24 Novembro 2009

Mundo de doidos

Se há coisa que me tira do sério é ter de lidar com gente ainda mais doida do que eu. Não gosto! Pronto! Irrita-me!

Há coisas que, se não fossem tão hilariantes, até davam vontade de mandar uns berros valentes. Vejamos o seguinte exemplo:

- Um cliente antigo, cumpridor, com mais de 1 década de relação comercial, paga x por um determinado serviço. O Manel da esquina, total desconhecido, contrata o serviço hoje, paga metade de x. O cliente antigo pergunta porque motivo existe tal discrepância de tratamento e recebe como resposta "porque o seu contrato é antigo"... Hello?!?!?!... Está tudo doido ou quê? Então premeia-se a fidelidade do cliente mantendo-o a pagar mais... assim como quem não quer a coisa a ver se o tipo não percebe! E se o cliente reclama e pregunta porquê, responde-se "porque sim"!

Não é hilariante?

Há uns anos, por causa de uma situação destas, mudei de instituição bancária, deixando para trás 16 anos de relação. Hoje aguardo que um prestador de serviços da área das telecomunicações me diga se eu, cliente há mais de 10 anos, vou ou não ver a minha factura mensal diminuida em metade, ou seja, para o tarifário de um cliente novo com as mesmas condições de serviço.

Digam lá, são ou não coisitas de gente doida? E o que me irrita é perder a exclusividade! Anos e anos de experiência em doidice e agora perco o protagonismo! Não é justo! Bah!

23 Novembro 2009

E num instante tudo muda...

Podia ser um "quase" plágio de um slogan de um jornal, não fosse uma pequena troca de letras, mas não é. É a dura realidade.

E num instante tudo muda.

E num instante alguém que, provavelmente, se vangloria de ser o melhor condutor do mundo e que, provavelmente, se vangloria de ser uma pessoa corajosa e recta, provoca um acidente e foge, numa vergonhosa demonstração de cobardia.

E num instante quatro pessoas são vítimas daquele condutor inconsciente, sendo que dois se ferem com pouca gravidade, um fica em estado crítico e outro morre.

E num instante uma filha, orfã de mãe, fica sem pai, o seu companheiro de vida.

E num instante eu fico sem a companhia de uma amiga que está em coma induzido tal a gravidade dos seus ferimentos, que ainda não conhece a dimensão da desgraça que lhe aconteceu e que está com um prognóstico tão reservado que nem os médicos arriscam a dizer se voltará a ser a pessoa que era.

E num instante tudo muda.

20 Novembro 2009

Cositas de gente miúda

Giro giro é ir para uma repartição pública, com ar de quem vai para a forca, por ter de me sujeitar a mais uma espera prolongada e saír de lá com um sorriso pateta.

Porquê? Perguntam os meus caros leitores... Vá! Perguntem!...

Porque estava lá um bebé que, a cada soluço que dava (e eram muitos), olhava para mim, ria e batia palmas!

Pela primeira vez na vida lamentei que a minha vez chegasse.

18 Novembro 2009

Coisitas de tuga

Muitas vezes o povo português, de agora em diante designado pelo termo carinhoso "tuga", acomoda-se a determinadas situações porque acha que agir dá muito trabalho ou, ainda pior, que a sua acção será ignorada.

Ora o tuga, ser inteligente que é - e quando não é disfarça bem com o seu aguçado engenho do desenrascanço - chegou a esta conclusão por via da tradição. Ou seja, se o tuga acha que não vale a pena reclamar de algo que não está bem, essa conclusão deriva de um conjunto de observações de situações passadas cujo desfecho não foi o desejado.

Pois bem, o tuga tem razão em muitas coisas. Mas também lhe compete tentar mudar um bocado a tendência. Um só tuga não consegue mudar o mundo, muito menos o pequeno rectângulo que os seus antepassados, arduamente, conquistaram à traulitada aos mouros e a uns quantos espanhóis e franceses, agora esmagado pelo peso da burocracia e da técnica apuradissima do procrastinanço. Mas se não pode mudar o rectângulo pode, pelo menos, tentar e, mesmo que o esforço lhe pareça em vão, é sempre com um primeiro impulso que se põe um baloiço a balançar. Não importa que faça só uma brisa quando se pretende um vendaval mas é aquele primeiro sopro que faz a diferença.

Os leitores que entretanto ainda não desistiram de ler este texto ou não adormeceram, provavelmente, perguntar-se-ão se esta é mais uma dose de filosofia barata ou se os meus dois neurónios entraram definitivamete em curto-circuito. Admito que até possa ser uma conjugação das duas hipóteses, mas tudo isto vem a propósito da reclamação que fiz na altura da minha cirurgia-que-não-foi-por-falta-de-anestesista.

O tempo que perdi a escrever no livro amarelo, ao contrário do que pensei, não foi totalmente perdido. Embora eu gostasse que a reclamação tivesse provocado um vendaval, a brisa que senti foi muito positiva e um sinal evidente de que, naquele caso, a mensagem chegou ao alvo. Mesmo sem grandes efeitos práticos, porque também não pedi nada (apenas chamei a atenção para uma situação que não devia ter acontecido), valeu a pena, porque a situação não passou em claro e, pelo menos, alguém teve o trabalho de a ler e de dar resposta.